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Como Melhorar seu Vocabulário
É sempre melhor começar a estudar uma língua pelo vocabulário. Nem sempre a maior dificuldade do estudante de idiomas é gramatical. Na verdade, é mais eficaz aprender gramática quando já se tem um bom conhecimento intuitivo: em outras palavras, se você já sabe mais ou menos o que o texto está dizendo, será mais fácil compreender as regras gramaticais que estão em jogo.O maior problema de estudar vocabulário é que você procurará uma palavra no dicionário e, cinco minutos depois, já não lembrará mais o que ela significa. Isso é absolutamente normal: só quem tem memória fotográfica lembra uma coisa que viu rapidamente, sem nem prestar atenção direito. Além disso, o cérebro funciona de modo inteligente: nunca aprende uma coisa cuja utilidade não percebe. O fato é que seu cérebro não registra o significado dessas palavras como um dado importante, que você vai precisar utilizar no futuro. A boa notícia é que há modos de consertar o problema, e vou dividir alguns com você:
Reduza o uso do dicionário
Sei que parece um contra-senso, mas ficar olhando o dicionário a toda hora é um processo cansativo para a mente. Você tem que sacrificar toda a sua concentração (por exemplo, se você está lendo um livro, tem que fazer uma pausa), abrir o dicionário e fazer um esforço totalmente diferente (o de procurar uma palavra ali dentro). Isso te faz perder entusiasmo e foco. Procure ler e ouvir atentamente, mas sem usar o dicionário. Se você não entender, tudo bem; continue lendo ou ouvindo e prestando bastante atenção.
Mesmo que você não entenda nada, está recebendo dados novos que a parte inconsciente do seu cérebro processará. Esses dados são chamados input. O som da palavra, as ênfases, gestos e expressão facial do falante, os objetos presentes na cena (se houver parte visual) e as palavras próximas (seja na parte auditiva ou na escrita), tudo isso é processado inconscientemente. Por exemplo, se você estiver lendo um artigo e aparecer a seguinte frase: “tous les vraies passions sont égoïstes”, seu inconsciente vai registrar, entre outras coisas, que les veio antes de vraies, e que existe alguma relação entre as palavras passions e égoïstes. A propósito, essa frase é do escritor francês Stendhal, e significa que todas as verdadeiras paixões são egoístas.
Pode parecer coisa miúda, mas quando você vir uma palavra pela terceira vez e decidir finalmente olhá-la no dicionário, seu cérebro já terá tanta informação extra sobre essa palavra que será muito mais fácil lembrar seu significado. Há quem diga que o aprendizado de uma língua é 60% inconsciente, e apenas 40% é aprendido quando você está “estudando” (tentando memorizar conscientemente significados e teoria gramatical).
Meu conselho é: leia muito, ouça muito e assista a muitos filmes e programas. Mesmo sem entender nada. E só use o dicionário depois que tiver visto a mesma palavra muitas vezes.
Leia, pelo amor de Deus
Depois que você dominou a gramática básica, e já consegue entender uma coisinha ou outra, pare de enrolar e compre um livro. Livros são o melhor jeito de aprender vocabulário. Eu disse agora há pouco que você aprende mais facilmente conforme você tenha visto a mesma palavra várias vezes, não foi? Pois bem, se eu ouço cinco palavras por minuto, quais são as chances da mesma palavra se repetir? Agora, se eu ouço dez palavras por minuto, parece que as mesmas estruturas vão se repetir com mais frequência, ou não? Então acompanhe comigo os meios mais comuns de praticar um idioma e vamos compará-los:
Conversas e filmes: a maior parte da informação é visual (expressão facial, gestos, objetos) e sonora (tom e volume da voz, onomatopeias). As frases ditas são curtas e cheias de implícitos (informações subentendidas, que não precisam ser ditas). Por exemplo: “aí eu fui lá e falei assim, tipo, cê entendeu”. Entendeu o quê? Provavelmente o interlocutor fez algum gesto ou expressão facial que comunicou mais ou menos sua ideia. Usando apenas as palavras, é difícil perceber o sentido da frase.
Música: embora seja agradável aos ouvidos, a pronúncia das palavras é frequentemente incorreta, pois o intérprete distorce o som para caber na melodia. Um exemplo seria a famosa música dos Titãs, Epitáfio, em que cantamos: “O acasú vai/ Me proteger/ Enquantú eu andar distrá-ido”. O som é tão distorcido que certa pessoa chegou a entender que uma “vaca azul vai me proteger”… Além disso, a gramática de canções populares quase nunca é normal. Muda-se a ordem das palavras e até as conjugações do verbo para rimar. Um axé antigo dizia: “Maria Aparecida de Amaral Pereira Góes,/ Você contribói/ Para o meu viver”. Música é, em suma, uma péssima fonte para o aprendizado, embora seja bom para estimular o interesse pela língua e para relaxar.
Livros: não têm os recursos audiovisuais, mas em compensação dão muita informação contextual que ajuda a entender “mais ou menos” o que se passa. O principal, porém, é que em um livro tudo o que acontece é descrito com palavras. A parte visual, auditiva, táctil, emocional, espiritual, tudo é feito com palavras. O resultado é que, como há mais palavras por minuto, há mais repetições de estruturas, inclusive de formas gramaticais. Por isso quem lê aprende mais palavras com mais facilidade.
Em tempo: um modo de facilitar a leitura é usar auxílios audiovisuais. Como? Você pode baixar ou comprar um audiobook e ouvir o livro narrado por uma pessoa, com tom de voz e ênfases que ajudam a compreender. A parte visual pode ser suplementada se você assistir a um filme baseado no livro (Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é apenas um exemplo dentre muitos livros que viraram filmes; outro famoso seria a trilogia do Senhor dos Anéis).
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